terça-feira, 6 de outubro de 2009

O 1º CINEMA DE FORTALEZA

Vamos saber hoje um pouco sobre a história do cinema em Fortaleza.


A maior exibidora de capital nacional do país, o Severiano Ribeiro é uma empresa familiar, que está em sua terceira geração.O primeiro ato desta trajetória cinematográfica aconteceu em Fortaleza, no ano de 1917: Luiz Severiano Ribeiro, fundador do grupo, inaugurou o Majestic, primeiro cinema importante construído na capital cearense.

ANTIGA FACHADA DO CINE MAJESTIC FORTALEZA
Década de 40

O cine Rex (Fortaleza) é reaberto como uma empresa de Luiz Severiano. O filme “O Sabotador”, de Alfred Hitchcock, leva o público ao delírio. Os freqüentadores do local eram chamados de “geração Rex”.

Década de 50

O Palácio foi cenário de mais uma evolução da indústria cinematográfica. Nesta década, lançava com exclusividade no Brasil o cinemascope, com o filme “O Manto Sagrado”. Inaugurado São Luiz de Fortaleza – a obra demorou 20 anos para ser finalizada. O São Luiz de Fortaleza foi uma homenagem pessoal de Severiano Ribeiro para a cidade.

Anos 2000

Foi construído o cinema no Shopping Iguatemi, de Fortaleza, em parceria com a UCI.

Luiz Severiano Ribeiro – o fundador

Samuel Tabosa, veterano e exemplar funcionário do grupo Severiano Ribeiro O Ceará produziria no talento e personalidade dinâmica de Luiz Severiano Ribeiro não apenas um dos seus mais brilhantes pioneiros, mas aquele que iria assumir a nível nacional, uma inconteste liderança no setor da exibição cinematográfica e depois na produção de cinema em nosso país. Nascido em Baturité, aprazível cidade serrana do Ceará, no dia 3 de junho de 1885, filho do médico Luiz Severiano Ribeiro, que integrou os serviços médicos na guerra do Paraguai, e de Maria Felícia Caracas Ribeiro, veio prosseguir seus estudos e ganhar a vida em Fortaleza quando tinha por volta de dezenove anos de idade. Exerceu funções modestas, como gerente de hotel próximo à estação central de trens, mas, ativamente dedicado às suas funções de trabalho, ascenderia no mundo dos negócios. Em 1910, aos 26 anos de idade, casou-se com Alba Morais. com quem manteria uma tranqüila união conjugal por cinqüenta e oito anos. Os primeiros tempos não foram fáceis para a esposa, como narra em livro F. Silva Nobre: "com três meses de casada, inconformada com a vida que o marido levava, foi ao pai queixar-se de que Luiz parecia não lhe ter amor, já que pouco estava ao seu lado e nunca lhe dava a mínima importância. O sogro, cioso da felicidade da filha, procurou apurar o que acontecia realmente e verificou que o genro passava o tempo trabalhando, a ponto de exaustão, e depois de alguns dias aconselhou a filha a ter compreensão." O casal teve cinco filhos: Luiz Severiano Ribeiro Junior - depois sucessor do pai à frente da empresa, Germana Ribeiro de Lamare, Lais Ribeiro Pinto, Iolanda Ribeiro Portela e Vera Severiano Ribeiro de Sóllis. A primeira oportunidade comercial foi sua sociedade com Oscar Araripe, em 1912, proprietário da Livraria Menescal. Em 1915, com recursos próprios, instala a Livraria Ribeiro, localizada à rua Major Facundo, nº 92, chegando a criar uma subsidiária de sua firma em Recife. Por essa época, diversifica seus negócios com o arrendamento ou criação de estabelecimentos diversos, como hotéis, dentre os quais o Majestic Palace e o Hotel de França, sucessor do velho Hotel De France, criado no século passado pelo francês Hippolite Dragaud; uma fábrica de gelo - à rua Santa Isabel, 220; o Café Riche e a barbearia Maison Riche, ambos na Praça do Ferreira; o salão de bilhar no Majestic Palace; e outras iniciativas comerciais. Nessa linha de expansão é que se volta para o cinema. Seu ingresso como exibidor de cinema ocorre ao instalar o Cinema Riche, no dia 23 de dezembro de 1915, no mesmo local em que o velho Victor Di Maio iniciara as exibições permanentes em Fortaleza. Severiano Ribeiro tinha então como seu sócio capitalista, já que este nunca se dedicou efetivamente a gestão de cinema, o destacado empresário e emérita figura da sociedade cearense Alfredo Salgado, um dos sócios instaladores da sociedade Perseverança e Porvir, em 1880, dedicada à luta pela abolição da escravatura, transformada depois na Sociedade Cearense Libertadora. Foi certamente Luiz Severiano Ribeiro o articulador do denominado "trust" exibidor em janeiro de 1916, pelo qual Fortaleza permaneceria apenas com dois cinemas. Como referia-se o "Correio do Ceará" (18.1.16). A 3 de março, a união decidiria pelo fechamento do Rio Branco e a reabertura do Riche. Com a dissolução da "união cinematográfica", a 3l de dezembro de 1916, Luiz Severiano Ribeiro, fortalece o seu Cinema Riche, e prepara-se em sociedade com Alfredo Salgado para o seu definitivo domínio da exibição cinematográfica em Fortaleza: a inauguração do luxuoso Cine-Theatro Majestic Palace, no imponente edifício construído pelo capitalista Plácido do Carmo, a 14 de julho de 1917, inviabilizando os concorrentes menores. A estes, Luiz Severiano Ribeiro oferecia contratos de fechamento pelo prazo de dez anos, mediante retribuição financeira mensal. Até o final dos anos 10, Luiz Severiano Ribeiro teria sua base cinematográfica, em Fortaleza, com os cinemas Majestic-Palace, Polytheama e Riche. Seus únicos concorrentes remanescentes, os cinemas Cassino Cearense, da família de Júlio Pinto, e o Rio Branco, de Henrique Mesiano, sucumbiriam através de acordos comerciais de fechamento. Nos anos 20, ressalvado os cinemas de bairros, geralmente mantidos por associações religiosas, a empresa de Luiz Severiano Ribeiro, teria maior ascensão com a abertura do Cinema Moderno, a 7 de setembro de 1921, e a reinauguração do Polytheama, a 19 de março de 1922. Como a capital federal tinha em Francisco Serrador, o artífice da Cinelândia, o grande monopolizador dos cinemas de qualidade, atuando de forma autônoma e independente, Luiz Severiano Ribeiro ganha pouco a pouco credibilidade e ingressa na associação da Metro-Goldwyn, First National e Empresas Cinematográficas Reunidas, criando em 1926 uma nova e poderosa frente para distribuição de filmes no Brasil. Batalhador tenaz, estabelece-se a seguir como agente locador de películas trazidas ao Brasil pela Agência Paramount (que representava à época a Metro-Goldwyn e a First National) e a Cinematográfica Brasileira. é um dos fundadores, em 1926, da sociedade cooperativa de exibidores denominada "Circuito Nacional de Exibidores". A firma individual Luiz Severiano Ribeiro, foi estabelecida a 7 de abril de 1930, quando já se lhe reconhecia um empresário competente. Em maio de 1932, reformava o seu Cinema-América, na rua Conde de Bonfim, equipando com aparelhos Western Electric. No dia 27 de outubro de 1932, inaugura em Vila Isabel, o "Cine Maracanã", em sociedade com Luiz Caruso. Incorporando muitas vezes pequenos e velhos cinemas da capital, expunha-lhe a riscos e exigia intensa supervisão. Destacando-se por novos empreendimentos, é eleito, em 1933, presidente do récem criado Sindicato Cinematográfico de Exibidores, composto por figuras como Francisco Serrador, Júlio Marc Ferrez, Domingos Vassalo Caruso e Domingos Segreto. Em 1934, assumiu dois importantes cinemas de Petrópolis, o Capitólio e o Petrópolis. Em 1935; em Copacabana, no Rio de Janeiro, aos seus dois cinemas Atlântico e Copacabana vinha somar um novo salão por ele construído, o Lido. Na rua da Carioca, Severiano Ribeiro manteve dois cinemas, o Ideal e o Iris, e em 1935, fez construir o Plaza, na rua do Passeio, e o Floriano, na rua Marechal Floriano. De 1933 a 1935, Luiz Severiano Ribeiro ampliava de 12 para 30 cinemas, apenas no Rio de Janeiro. A década de 30, traz ainda uma grande vitória para o pioneiro exibidor, quando inaugura no Rio de Janeiro, o Cinema São Luiz, a 22 de dezembro de 1937, localizado no Largo do Machado, o melhor e mais suntuoso cinema brasileiro daquela época, capitaneando o seu circuito de modernos cinemas.. Recolhemos da revista "Cinearte" (Nº 414, 1.5.35) uma nota esclarecedora do empenho e do potencial do empresário cearense: "Conversando há dias com pessoa muito chegada ao ativo "trustman" cuja esfera de ação extende-se da Galeria Cruzeiro até os rincões do extremo norte, ouvimos o seguinte: -Luiz Severiano Ribeiro pretende desenvolver sempre e cada vez mais seus negócios. Ninguém se espante se depois de absorver o norte, a capital da República, Niterói e Petrópolis, voltar suas vistas para o setor sul, onde o terreno não será menos propício. Ele costuma dizer: -"Devo às próprias companhias importadoras de filmes o desenvolvimento de minha tarefa. Elas de tal maneira colocaram os exibidores independentes em um cerco de exigências, que os levaram a socorrer-se de minha organização para poderem viver..." Evidentemente Luiz Severiano Ribeiro leva sobre os seus concorrentes vantagens tais que lhe permitem até associá-los garantindo-lhes as médias de retiradas que costumavam fazer, sem outras preocupações. Contratando a produção de uma agencia, o faz por determinado espaço de tempo, dentro do qual faculta-se o direito de exibir cada film em quantos cinemas possuir. E ainda gosa de regalias de não despender verbas de propaganda que estas foram feitas pelo primeiro exibidor, embora ele aufira os maiores proveitos..." O talento cearense reafirma-se quando, após graduar-se em Londres, regressa Luiz Severiano Ribeiro Junior, a quem é dado presidir a organização de âmbito nacional Companhia Brasileira de Cinemas. Tendo ao lado, o seu filho e sucessor, expande seus negócios à produção e distribuição cinematográfica no Brasil, instituindo a Cinematográfica São Luis Ltda., a Distribuidora de Filmes Brasileiros - DBF, e a União Cinematográfica Brasileira -UCB, lançando os jornais da tela "Esporte na Tela" e "Notícias da Semana", e, a partir de 1947, ao assumir o controle da Atlântida Cinematográfica S.A., criada seis anos antes, concede-lhe o status de produtora de sucesso com presença obrigatória na sua rede de duzentos cinemas espalhados por todo o território nacional. Nesse último empreendimento, lança o cinejornal "Atualidades Atlântida" e abre espaço para o período de ouro da chanchada cinematográfica musical brasileira, alegria de uma geração de cinéfilos. As capitais brasileiras que contribuíram para a edificação do império do grupo Severiano Ribeiro tiveram também a recompensa com modernos salões de exibição. Fortaleza, terra que lhe deu o apoio a grande ascensão empresarial, recebeu dois dos seus melhores cinemas: o Diogo, inaugurado a 7 de setembro de 1940, e o São Luiz, no dia 26 de março de 1958, hoje patrimônio da cidade. Sua presença forte no mercado exibidor de nossa capital não permitiriam a sobrevivência das duas heróicas tentativas de geração de circuitos independentes, iniciativas de Clóvis de Araújo Janja, em 1940, e Amadeu Barros Leal, em 1950. O velho empresário batalhador, transferiu o comando do seu império, em 1971, aos 86 anos de idade, para o filho Luiz Severiano Ribeiro Filho. No dia 1° de dezembro de 1974 falecia, no Rio de Janeiro, aos 89 anos de idade, vitima de enfarte, quando convalecia de ato cirúrgico. Seu imenso trabalho pela edificação da maior rede de espetáculos de nosso país, mesmo após enfrentar as graves restrições que se abateram sobre o mercado de cinema, encontra-se ainda hoje em expansão, marcando presença pelos novos cinemas que foram instalados a partir do surgimento dos shopping centers brasileiros. .
[Obs: As citações e transcrições, que aparecem neste texto, conservam a grafia e as regras gramaticais da época em que foram originalmente escritas ou publicadas.]


[REPRODUÇÃO PERMITIDA INDICANDO OS CRÉDITOS DO AUTOR]
Capítulo do livro – "FORTALEZA E ERA DO CINEMA"[PESQUISA HISTÓRICA – Volume I, 1891-1931], de ARY BEZERRA LEITE [Rua Coronel Jucá, 510. Ap. 303 – 60.170-320 – Fortaleza, Ceará, Brasil]





CASA AMARELA EUSÉLIO OLIVEIRA

A Casa Amarela Eusélio Oliveira, da Universidade Federal do Ceará, funciona desde 1971, oferecendo cursos de animação, cinema e fotografia.

ONDE FICA
Av. da Universidade, 2591, Benfica.

POR QUE IR

Os cursos de História do Cinema, com a participação do crítico Firmino Holanda - a pessoa que mais entende de crítica cinematográfica no Ceará - são bastante procurados. Além dos cursos, em geral, a Casa Amarela tem um acervo de mais de 2,5 mil videos e uma sala de cinema que exibe mostras de filmes de arte.

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A programação pode ser consultada pelo telefone.

QUEM VAI

Estudantes universitários e cinéfilos.

CONTATO

Tels: (85)4009-7773 ou (85)4009-7300.


1° FILME CEARENSE

No dia 1º de abril de 1910, o Cinema Rio Branco, exibia o documentário "A Procissão dos Passos", com o destaque na publicidade para o fato de ser este "o 1º filme rodado no Ceará". Além dessa informação, não temos nenhum outro esclarecimento. Desconhecemos quem o teria feito, se algum conterrâneo ou algum cineasta visitante que aqui tenha aportado. Um segundo filme produzido em nossa terra, igualmente sem os créditos de seus realizadores, foi o "Ceará Jornal", exibido no Cinema Riche, no dia 26 de fevereiro de 1919.

Não há dúvidas, entretanto, quanto ao pioneirismo na produção documental, de qualidade técnica, do cearense Adhemar Bezerra de Albuquerque, nascido em Fortaleza, em 19 de julho de 1892, e falecido, aos 83 anos de idade, no dia 17 de julho de 1975. Paralelo à sua atividade artística, foi funcionário por 40 anos do Bank of London. Aqui constituiu família, casando-se com Lasthenia Campos de Albuquerque, tendo o casal nove filhos: Francisco Afonso, Antonio Afonso, Paulo Afonso, Pedro Afonso, Suzana, Lastenia, Maria Lucíola, Marta e Luis Afonso.

Sua criatividade artística teria uma manifestação inicial no campo da fotografia e do cinema, com destaque para a criação da Aba Film, empreendimento definitivo no ramo de fotografia, e que alcança até hoje, sob a direção de seu filho, Antônio Albuquerque, o melhor padrão de qualidade.

Tem-se o ano de 1924 como a data de lançamento de seus primeiros filmes, documentários em 35 milimetros, de aspectos e acontecimentos da Fortaleza e cidades interioranas. De fato a imprensa local registra com louvor o esforço de Adhemar Albuquerque, comentando o filme "Temporada Maranhense de Foot-Ball no Ceará (1924, 2 atos, realização de Adhemar Albuquerque, com o seguinte conteúdo: Fases dos jogos: Ceará 4 x 2 Maranhenses; Maranhenses 2 x 0 América; Maranhenses 2 x 1 Fortaleza; Guarany 4 x 0 Maranhenses), por ele lançado no Cinema Moderno, no dia 15 de outubro de 1924. Sobre essa estréia, publicou o "Correio do Ceará" (16.10.1924):

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